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Fui questionado esses dias por um aluno se Fck abaixo do especificado ocorre com frequência nas obras que projeto e o que normalmente faço quando isso ocorre. Essa pergunta é ótima e vou descrever aqui exatamente o que faço nesses casos.
SIM! Com frequência recebo e-mails de que o fck de alguma obra deu abaixo do valor de projeto. Isso é bem comum. Diria que quase semanalmente recebo um e-mail com esse tipo de ocorrência (tenha em mente que temos no meu escritório 15 engenheiros projetistas e mais de 75 edifícios sendo projetados).
Mas e aí? Faz o que nessa situação?
Primeiro, devo lembrar que o fck é uma resistência CARACTERÍSTICA. Para os efeitos da NBR6118, a resistência característica inferior é admitida como sendo o valor que tem apenas 5 % de probabilidade de não ser atingido pelos elementos de um dado lote de material.
Nesse caso o fck nada mais é que a resistência média fcm diminuída de 1.65 x DP. Sendo DP o desvio padrão que corresponde na curva Normal ao quantil de 5%.

Tá mas e ai ?
E aí que usamos minoradores para garantir uma certa margem de segurança nos cálculos. Não usamos RESISTÊNCIA CARACTERÍSTICA nas contas. Usamos RESISTÊNCIA DE CÁLCULO.
Todos sabemos que o minorador do concreto é 1.4. O que as vezes esquecemos é que esse 1.4 é o produto de três gamas:
gamaM1: variabilidade da resistência dos materiais envolvidos
gamaM2: diferença entre a resistência do material no corpo de prova e na estrutura
gamaM3: desvios gerados na concretagem e aproximações de projeto
Quando você tem uma reposta de ensaio, você tira incerteza dos desvios da concretagem.
Nesse caso, sua resistência de CARACTERÍSTICA pode ser minorada por uma gama menor.
MAS QUÃO MENOR?
Há diversos estudos que mostram que fck até 12% menores não causam maiores problemas. Isso na prática quer dizer que eu posso minorar agora por 1.4 x 0,88 = 1,232.
MODO CONTA DE PADEIRO ON:
SITUAÇÃO 1
Fck era para ser 30MPa. A obra liga dizendo que deu 29…28….27. Eu não faço nada. Digo apenas que podem seguir com a obra normalmente (mas lembre-se: sempre peça para ver os relatórios de ensaios. Não dá para confiar nem no candidato padre).
SITUAÇÃO 2
Fck era para ser 30MPa. A obra liga dizendo que deu 25…24…23. Aí tem que fazer umas contas.
O que eu faço? A obra informa quais elementos foram concretados com esse fck… se foi viga ou laje quase certo que não teremos problema.
Pouca gente percebe, mas a influência do fck no ELU de flexão é bem baixa.
EXEMPLO:
Viga 14 x 60 com fck = 30Mpa e Mk = 15tf.m –> As = 10,49cm²
Viga 14 x 60 com fck = 25Mpa e Mk = 15tf.m –> As = 10,61cm²
Redução de 16,6% no fck gera aumento de 1,14% no As. NADA!
Se foi pilar ai tem que mudar o fck do pilar e verificar. Mas ai qual valor de fck eu uso?
Pensa comigo…. o TQS (ou qq outro software) vai dividir teu fck por 1,4. Se o valor era 30MPa e a obra diz que deu 24MPa.
O valor do fck de análise do modelo (Fck,mod) deve ser corrigido por:
Fck,mod = 24 x 1,4/1,232 = 27,27MPa.
Ou seja, uma vez que você tem a informação do ensaio, seu minorador agora é 1.232 e não mais 1.4.
Entrando no TQS com 27,27 ele vai dividir por 1.4 e usar o fcd de 19,48MPa. Que é o mesmo valor de 24/1,232 = 19,48MPa.
OK! E ai?
Simples! Se ao rodar com 27.27 ele tiver “passando”, ou seja, suportando a carga com a mesma armadura original. Não tem o que fazer: LIBERA GERAL!!
Se pedir mais armadura aí vai ter que reforçar!
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ENTÃO VEM FAZER UM DE NOSSOS CURSOS!