6 DESVANTAGENS DO USO DE BARRAS DE FIBRA DE VIDRO

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Tenho visto e ouvido bastante sobre o uso de barras de fibra de vidro no concreto armado. Já ouvi até gente dizendo que esse novo esquema de barras vai subsitituir o aço estrutural.
O interessante é que se você fizer uma pesquisa rápida no google você vai ver um número enorme de páginas somente com elogios e vantagens.

Então resolvi escrever um pouco sobre as desvantagens desse material. Lê ai até o final e me diga o que acha:

1 – O módulo de elasticidade desse material é bem mais baixo que o do aço convencional. O aço tem módulo 200-210 GPa. Vergalhões de barras de fibra de vidro (BFV) não chegam nem em 100GPa. Lembrando que deformações são sempre função do módulo, se tem módulo baixo o material “aceita deformar pouco”, ou seja, podemos ter grandes deformações para baixos níveis de tensão de tração.

2- A tensão resistente a tração de fato é alta, mas isso não necessariamente é algo de muito bom. Mesmo que a BFV tenha resistência de tensão da ordem 1000MPa, isso não vira uma vantagem a flexão, porque o concreto não resiste a compressão. Ainda que a barra tenha altíssima resistência e aguente muita tração, nesse domínio o concreto ja teria rompido na compressão. Para pilares, em prédios, sabidamente quem manda no pilar é a INSTABILIDADE GLOBAL. Um prédio de 30 andares muitas vezes já tem armadura mínima no 4° ou 5º andar. Para casas, em muitos pilares quem manda no dimensionamento é a flexão. Então de novo… a vantagem é no mínimo questionável. Já se perguntou o porquê de empresas fabricantes de aço nunca terem feito um vergalhão de 900-1000 MPa?

3- Em muitos casos a BFV não tem patamar de escoamento. BFV tem comportamento aproximadamente elástico até praticamente a ruptura. Neste caso não apresentam um patamar de escoamento bem definido. Isso não necessariamente é ruim, mas, a depender do dimensionamento, em uma eventual ruptura, poderíamos não ter avisos como ocorre com o aço estrutural.

4- BFV não aceitam ser dobradas, principalmente para bitolas maiores. Isto dificulta e inviabiliza o uso deste material para um montão de aplicações. Entre elas ancoragens com dobras tipo vigas; estribos, ganchos, dobras em armaduras de lajes, detalhes especiais, paredes de cxdg e etc.

5- BFV de fato não “pegam” fogo, mas veja…o aço mantem sua estrutura inalterada até cerca de 500°C. Por outro lado, as BFVs tem suas camadas coladas com resinas. Esta em temperatura bem abaixo de 200°C já mudam radicalmente seu comportamento. BFV tendem em caso de aquecimento apresentar deslizamento entre camadas de fibras por conta da alteração do comportamento da resina.

6- Material tem características anisotrópica e não isotrópica como o aço. A anisotropia desse material, por definição, faz com que ele mude de comportamento quando a direção de análise muda.

Claro que BFV tem inúmeras vantagens e certamente terá seu nicho. Disso não tenho duvidas. Mas na minha opinião o aço estrutural ainda terá uma vida longa. Sem data definida de perder a hegemonia.

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