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Moçada,
Esse dias fizemos uma das maiores lajes de subpressão que já passou pelo nosso escritório. A laje, como mostrada na figura a seguir, tem uma area total de ~4500m².

Claro que é muito difícil esgotar o assunto em um e-mail. Mas vou descrever brevemente aqui 3 cuidados que você precisa ter ao projetar uma laje de subpressão. Entendo que muita gente acaba tendo dúvidas sobre esse assunto, porque a verdade é que na maioria das obras que projetamos não precisamos ter laje de subpressão.
Primeiro, entender que laje de subpressão é um dispositivo que tem como principal objetivo impedir que a água entre no nível do 1 piso da estrutura. Normalmente isso ocorre em regiões onde o lençol freático é alto demais e a estrutura irá precisar de subsolos.
Aqui no escritório estamos nesse momento fazendo um Shopping com mais de 83 mil m² que terá uma laje de subpressão de 78m x 57m. O Shopping tem 3 subsolos…. típico caso em que você tem grandes chances de ter problemas com a água no seu estacionamento.
A ideia da laje de subpressão é, como mostra nas fotos, fazer uma laje armada apoiada no chão e que a concretagem não deixe espaço para que a água mine pelo chão.

ATENÇÂO: A laje de subpressão não é um radier. Em outras palavras, uma laje de subpressão tem razões e comportamentoe diferentes de um radier.
Recomendação #1: TENTE DEIXAR O TOPO LAJE NO MESMO NÍVEL QUE O TOPO BLOCO
Se sua fundação for em blocos, deixe a laje se apoiando diretamente nos blocos e não nos pilares. Isso diminui bastante os vãos de cálculo da laje, uma vez que, sabidamente, em planta, blocos tem dimensões muito maiores que os pilares. Deixar sua laje apoiando direto nos blocos facilita inclusive o cálculo da punção.
Você, obviamente, pode optar por fazer a laje apoiando em vigas. Isso não tem nenhum problema. Mas gera o inconveniente de ter que escavar os trechos onde ficam as vigas, já que você não poderá fazer vigas invertidas. Mas como falei, se a movimentação de terra a mais não for um problema, be my guest ou como a gente diz aqui no Ceará: Arrocha!!
Recomendação #2: VERIFIQUE E CALCULE AS DUAS FACES
Sei que para a maioria isso será obvio! Mas jamais esqueça que você precisa dimensionar as duas faces da laje tanto para ELU (flexão e cisalhamento) como para ELS (fissura e flecha). Sei que muita gente tem mania de calcular as duas faces para flexão, mas esquecem que precisam sim ver cisalhamento, fissuras e flechas. Lembrando que a face de baixo da laje deve ter sua armadura calculada em pelo menos duas situações:
1 – Momento positivo gerado pelo carregamento de cima para baixo máximo;
2 – Momento negativo gerado pela carregamento de baixo para cima descontada a parcela somente de pp;
[não esquece isso ai! Senão vai passar vergonha em dia de chuva forte]
Recomendação #3: EVITE UTILIZAR JUNTAS DE DILATAÇÃO
Sim! Eu sei que as vezes dá medo fazer estruturas grandes demais…. ainda mais lajes de subpressão que precisam ocupar toda a projeção da construção. Mas vá por mim. Utilizar junta em laje de subpressão por ser um passo muito perigoso. Mesmo que você se utilize de uma Fungeband O22 ou O32… ainda assim recomendo evitar a junta. Isso, porque você fica “refém” da qualidade da junta. Qualquer problema que der, mesmo que seja um problema bem pequeno…. acredite a água vai achar essa passagem.
A água sempre vence! Nós engenheiros(as) civis temos que ter mais medo e respeito pela água. Uma última palavra sobre A Fungeband O22: eu adoro esse tipo de solução. Uso direito em piscinas e reservatórios. Mas lembre-se que piscinas e reservatórios são estruturas normalmente bem menores e menos problemáticas quando comparadas a lajes de subpressão.
P.S.: Vamos ter um miniCurso sobre projeto e detalhamento de lajes de subpressão dia 22 de julho de 8 as 12. Também vamos aprender sobre mão francesa. São apenas 35 vagas.